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17/11/2016 às 12h39min - Atualizada em 17/11/2016 às 12h39min
Luiz Ernani da Silva - União da Vitória(PR)
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IGNORÂNCIA O MUNDO SE MOVE
Autor do texto: Terêncio da Luz

É interessante observar como o mundo se utiliza e explora a ignorância das pessoas para disseminar seus interesses. Os interesses do mundo nunca são os interesses da maioria das populações. É sempre uma minoria que determina o rumo da história.
Detentora dos poderes que decidem, as minorias dominam o mundo e subjugam a humanidade, induzindo-a a cumprir papéis vitais para a realização dos seus intentos.
Investir na ignorância é não fazer investimentos na educação, através da qual se formaria uma consciência crítica. O histórico “pão e circo” romano hoje é sutil, sofisticado, onipresente.
Vale-se de eguinhas pocotós e dos bbbs da vida para ocupar a mente das pessoas, distraindo-as com asneiras que as façam rir, chorar, comer, beber, vestir... tudo conforme uma orientação previamente estabelecida. Nada mais é inocente.
Na década de 60 – e quem viveu esta época tem tristes lembranças dela! – a desinformação era total. Os jovens se ocupavam com a Jovem Guarda (não confundir com a Bossa Nova ou MPB, símbolos da resistência), com filmes proibidos para menores de 18 anos, com concursos de beleza, festivais abestalhados e coisas que serviam perfeitamente para distrair e ocupar as mentes desavisadas.
O sistema de ensino foi reformado no início da década de 70, retirando dele qualquer disciplina que remetesse para a formação de conceitos, para construção do pensamento, para desenvolvimento da consciência. Se foram a filosofia, a psicologia, a história geral, o latim... e em seus lugares chegaram a Educação Moral e Cívica, a Organização Social e Política Brasileira, a religião...
- Chega! Já falei demais! Mais do que isso não posso dizer!
Era o bradou do professor de OSPB, colocando-se de braços abertos diante do quadro negro, dando a entender seu medo pelo que poderia falar para aquela turma de quarta série ginasial que nada sabia, mas suspeitava de que algo estava acontecendo.
No colégio interno, do Estado, ninguém sabia nada sobre a revolução, sobre o golpe militar, sobre ditadura, sobre torturas e desaparecimentos, sobre o regime de exceção a que o país havia sido exposto a partir de 1964. Estávamos mais preocupados com o jogo de futebol depois das aulas, com as matinés do domingo e em tentar entrar no cinema no sábado à noite para ver um filme proibido para menores de 18 anos, quando nenhum de nós tinha toda esta idade...
Nas aulas de Ensino Religioso, que eram optativas para quem não era católico e, para estes, obrigatórias, o padre dizia que o espiritismo era coisa do demônio, que espíritas tinham vinculação com o diabo e ameaçava com os fogos do inferno diante de qualquer “pecado” contra a santa Igreja! O padre certamente sabia que lá fora o pau corria solto... mas não era assunto de aula. Era melhor ignorar tudo isso.
A imprensa era controlada e estava sob rigorosa censura. Divulgava o que a ditadura permitia e cada redação tinha seu censor de plantão. Jornais alternativos surgiam clandestinamente e na clandestinidade ofereciam resistência ao regime militar. Empresários que ousassem publicar algum anúncio num destes jornais sofriam ameaças e logo desistiam de afrontar o regime imposto. Alguns eram feitos de forma cooperativada, porque o boicote econômico inviabilizou muitas iniciativas.
A vida transcorria “normalmente” e ninguém sofria retaliações, desde que não atuasse em partidos políticos, em sindicatos ou em movimentos sociais de qualquer natureza. Onde três ou quatro se reuniam, não era Jesus que estava entre eles, mas logo um milico chegava e assumia o posto de “salvador”. As prisões, as perseguições, os desaparecimentos, as mortes contemplavam quem estava lutando pela volta da normalidade democrática, premiava quem estava lutando pelos direitos civis de todos. Ninguém estava numa luta isolada, buscando interesses pessoais. Mas só estes sabiam do que se passava nos porões e nos quartéis. Nem nós, lá na escola pública, e nem nas ruas as pessoas sabiam que seu cotidiano ocultava o horror e a morte. A ignorância é um bálsamo!
A mídia estava controlada. Não tinha o que fazer além de furtivas tentativas e de lançar e em pouco ver desaparecer alguma publicação clandestina. Tudo era “subversivo” e lutar pela democracia era coisa de “comunista”. E o Brasil precisava ser libertada da ameaça comunista...
Era a Rússia que incomodava os Estados Unidos...
E todas as tomadas de poder, todas as “posses” feitas fora da aprovação das urnas, tinham a presença norte-americana. Em todo o continente sul americano. Em todo continente centro americano.
É muito interessante e alguns até acham normal... a América do Norte subjugando as outras Américas!
Havia golpes e guerras em todos os países da América do Sul. Havia golpes e guerras em todos os países da América Central. Não se sabe de guerras ou golpes na América do Norte, pois a faca não fere a quem a maneja, como ensinou Martin Fierro.
Como se obedecessem a um comando oculto, em pouco tempo as ditaduras foram implantadas em todos os países sul e centro-americanos. Como vieram, se foram. Novamente, como se obedecessem a um comando geral. E as democracias foram sendo restabelecidas. Frentes guerrilheiras foram admitidas como partidos políticos e lhe sendo permitido disputar as eleições, políticos cassados foram anistiados e voltaram aos seus países, os militares voltaram aos seus quartéis...
Mortos e desaparecidos não foram encontrados e nem ressuscitados.
E assim, dava até para se imaginar que as forças populares tivessem vencido seus algozes e retomado o poder em seus países. Partidos populares chegaram ao poder. E apresentaram uma nova forma de governar. O povo passou a ser protagonista. Ascendeu socialmente. Os países começaram a desenvolver-se e a libertar-se do jugo americano. O Brasil quitou sua dívida com o fundo Monetário Internacional... mas... qual é o banco que quer que seu tomador de dinheiro pague a dívida?
Os países se transformaram em canteiros de obras, o emprego prosperou, a economia cresceu, a hegemonia do social sobre o capital começou a incomodar demais!
E como a ignorância é um bálsamo, o povo mais uma vez foi induzido a acreditar na mentira e na desconstrução da verdade.
Por trás de tudo, obviamente, repetindo a história – porque quem não aprende com o erro terá que repeti-lo – os Estados Unidos da América do Norte!
E se na década de 60 e 70 os militares se prestaram ao serviço de destruir a soberania nacional, no novo milênio a receita deveria ter outra composição. Claro, ancorado no poder econômico porque no sistema capitalista o lucro é o herói supremo.
E se em 60/70 nada sabíamos porque a imprensa era amordaçada e vigorosamente controlada, neste novo capítulo da história foi a imprensa a razão maior para disseminar o golpe, que se tornou conhecido como “midiático”.
Antes, nada ficávamos sabendo; agora, ficamos sabendo apenas do que servia para desconstruir a realidade. Foi assim e vem sendo assim. Em Honduras, na Argentina, no Brasil, na Venezuela... onde existir algum interesse norte-americano.
A receita é a mesma, as táticas diferem um pouco. Não são mais os militares os protagonistas dos golpes, mas a mídia que (de)forma a opinião pública.
O novo capítulo também trouxe um novo ator ao palco. As redes sociais.
Por elas os movimentos de resistência aos golpes se articulam, se orientam, se promovem. Sua presença é tão ameaçadora aos golpistas que estes já começam a querer controla-la. A hegemonia da informação (ou da desinformação) não é mais privilégio da casta midiática, totalmente controlada pelo poder econômico. As redes sociais – o nome consagra! – socializaram a informação e tornaram mais difícil o sucesso dos golpes.
A nada sutil presença norte-americana, tanto na organização de manifestações antigovernistas como no “patrocínio” da causa, está muito bem caracterizada pelas ações de muitos parlamentares e membros do Judiciário em idas e vindas quase sistemáticas aos Estados Unidos, após qualquer decisão de alguma das câmaras brasileiras. Prestar contas? Receber instruções?
O comprometimento do Poder Judiciário – e estamos falando do Brasil, embora não seja diferente nos demais países – é vergonhoso. O Presidente do STF entrega o cargo para a sua sucessora e uma semana depois diz que a cassação da Presidenta eleita foi inconstitucional. Mas como? Foi ele que presidiu a sessão do impeachment?
A coisa é tão acintosamente americana que nem se fala em cassação. É impeachment! Talvez para ir se acostumando...
Outro Presidente, desta vez do STE, diz aque é normal um vice presidente receber uma doação de um milhão de reais, comprovada por um cheque nominal.
Outros juristas dizem que “não há provas, mas temos convicção”. Outros ainda, dizem que “a literatura jurídica não permite, mas condeno mesmo assim”.
Arbitrariedades são cometidas diariamente. Prisões e constrangimentos ilegais são totalmente seletivos, pois apenas visam, já há alguns anos, apenas corruptos do partido consagrado por quatro vezes nas urnas.
“Delações premiadas”, que em 60/70 se chamavam de “dedo duro” e no linguajar bandido se chama de “alcaguete”, são instituídas e a Justiça se vale das declarações de bandidos para afirmar suas verdades, como se um condenado fosse fazer alguma declaração que desagradasse seus inquisidores!
Ainda assim, os delatores são ameaçados se não contarem histórias que comprometam aqueles aos quais eles buscam. Ou seja, como já têm o seu criminoso, andam em busca do crime cometido. Mas está difícil encontrá-lo... Já as declarações dos delatores que comprometem pessoas de partidos que apoiam o golpismo são solenemente desconsideradas e ignoradas, descartadas. E tudo sob as vistas grossas do Supremo Tribunal Federal – o Guardião da Constituição – contemplado com régios aumentos salariais e benefícios totalmente imorais. O golpe precisa ser pago. Assim, o povo não tem com quem contar.
E a mídia... faz entrevista com o presidente golpista e lhe pergunta com o ele conheceu sua esposa, qual é o seu signo e qual é o time que torce,(só pra lembrar do Blitz). Na saída, educadamente, o não eleito presidente agradece por “mais esta propaganda”...
Falamos que os Estados Unidos se movimentam em todos os lugares onde eles tenham algum interesse. Econômico, obviamente. O Mapa Mundi prova isso e isso dispensa qualquer comentário a mais.
São interesses localizados. No Brasil, na Venezuela, na Bolívia, em Honduras... onde for... localizados.
Este, porém, não é o interesse maior do imperialismo norte americano.
Quando os países articularam uma nova ordem mundial, criando o BRICS, os EUA entraram em pânico. Com o surgimento do BRICS os EUA perderam a hegemonia mundial que conquistaram quando acabaram com a Cortina de Ferro.
Brasil, Rússia, India, China e África do Sul, têm tudo que os Estados Unidos não têm mais.
Têm terras para produzir alimentos e alimentar o mundo, têm águas infinitas, têm florestas, tem minérios de todo tipo, tem povos com sonhos e ideais para alcançar, têm obras de toda ordem para realizar, têm milhões de empregos para gerar, têm florestas para extrair riquezas, medicamentos e oxigênio, têm natureza privilegiada e têm, se forem se unir, forças militares para bater o inigualável exército norte-americano, que isoladamente ninguém ousará enfrentar!
Mas o BRICS tem mais, muito mais do que os Estados Unidos ousariam sonhar: tem petróleo!
E o Brasil tem tecnologia para extrair petróleo das camadas profundas do pré-sal!
É o BRICS que atordoa o imperialismo americano do norte!
O BRICS é o pano de fundo.
Por isso é preciso desestabilizar o Brasil, detentor do pré-sal e membro fundador do BRICS, cujo banco substituirá o Banco Mundial nesta hegemonia econômica que se estabeleceu.
Os Estados Unidos temem a união destes países. A união da Rússia com a China já os faz temer...
Por isso os EUA adotaram esta tática de guerrilha, minando país por país para poder chegar ao ponto desejado. Não estão interessados em dominar o Brasil, ou a Venezuela ou quem quer que seja; estão interessados em salvar o próprio couro e resgatar sua soberania mundial. Com governos golpistas não há nenhum risco, mas com mais uma eleição e com Lula no páreo, sua guerrilha sofrerá abalos talvez irreversíveis.
O liberalismo econômico, a supremacia do capital, o poder quase imbatível do poder econômico deixa muito escancarado o que está em luta. Embora gostem de afirmar que “direita” e “esquerda” são conceitos do passado, a luta que se trava é, como nunca foi na história, entre a esquerda e a direita,. O capital contra o social ou vice-versa.
A ignorância é um bálsamo!
Para a Direita, a ignorância é um bálsamo e sustenta suas lutas.
Para a Esquerda, a ignorância é o inimigo que precisa ser combatido porque ao povo falta o conhecimento e o entendimento das tramas diabólicas que tudo fazem para mantê-lo submisso e servil.
A luta será longa. Talvez nunca vá terminar.
Ensinar ao povo que ele deve ser o escritor da sua história e deixar de ser mero coadjuvante é tarefa dificílima e demorada.
O povo espera pelos outros. Eu espero por você. E você, espera por quem?
Globalizar, para os EUA é uma prática econômica que contempla os seus interesses, sujeita os países mais pobres, condenando-os a serem sempre coadjuvantes.
Globalizar, para os povos dominados por golpes e guerras criadas apelos norte-americanos, deve ser a sua união. De ideias e de sangue. De Pátrias em fronteiras. De povos irmãos. De vítimas do mesmo algoz.



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